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Surf adaptado no Santa Cruz Ocean Spirit

11707799_883516978351407_8368209662372706457_nA SURFaddict (Associação Portuguesa de Surf Adaptado) associa-se este ano, pela primeira vez, a um festival de desportos de ondas, o Santa Cruz Ocean Spirit, com o objetivo de aproximar o desporto adaptado a este mundo.

“A associação tem como objetivo demonstrar à sociedade que as pessoas com deficiência também podem praticar surf, por isso, faz todo o sentido termos aceitado o convite de um dos maiores festivais de surf realizados em Portugal”, afirmou o presidente da SURFaddict, Nuno Vitorino, à agência Lusa.

O antigo nadador paralímpico considerou que a participação no festival, agendada para sábado, “vai permitir ao desporto adaptado estar junto do mundo do surf e dos desportos de ondas”.

Na praia de Santa Cruz, a SURFaddict espera a participação de cerca de 120 pessoas com deficiência que, com a ajuda de voluntários, poderão praticar surf ou, simplesmente, ter contacto direto com o mar.

A SURFaddict, criada em 2012, já promoveu este ano três eventos, em várias praias do país, nos quais contou com a presença de mais de 300 pessoas com deficiência.

Desde a sua criação, a associação tem vindo a fazer várias parcerias, com empresas e instituições, tendo este ano estabelecido uma com a Santa Casa da Misericórdia de Lisboa.

“Queremos que esta parceria possa ser um veículo muito importante no contacto com pessoas portadoras de deficiência e crianças em situação de risco, de forma a privilegiar a sua integração inclusiva”, explica Nuno Vitorino.

Nuno Vitorino refere que para o evento no Santa Cruz Ocean Spirit, a SURFaddict já estabeleceu, como habitualmente, contactos com as instituições de deficiência locais, mas lembra que: “todos podem aparecer”.

Depois de Santa Cruz, a associação vai marcar presença, a 15 de agosto, na praia de Cortegaça, em Ovar, inserido no Surf at Night, um evento de cariz desportivo e de intervenção social.

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Ambiente, Social

Plataforma Essência em destaque na Surf Portugal

imagemA Plataforma Essência vem trilhado o seu caminho de forma simples e humilde, procurando ajudar e contribuir com aqueles que trazem valor social e ambiental ao “nosso” mundo.

A Surf Portugal no último número convidou-nos a falar um pouco mais sobre este projecto e quais os principais objectivos futuros. Um excelente texto da jornalista, Susana Santos, ilustrado com algumas imagens dos nossos embaixadores.

Não percam.

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Teresa Abraços, embaixadora da Plataforma Essência, planta a sementa do Surf em São Tomé

Captura de ecrã 2015-05-10, às 14.51.52Para a ex-campeã nacional Teresa Abraços, o surf há muito deixou de ser meramente uma fonte lúdica. Acabada de fechar uma parceria que lhe vai permitir deslocar-se a São Tomé e Príncipe com a regularidade que deseja, a surfista de São João do Estoril quer pôr as raparigas desta pequena ilha do Atlântico a desfrutar dos desportos de ondas.

2009 não foi um ano como outro qualquer na vida de Teresa Abraços. Foi o ano em que viajou pela primeira vez para São Tomé e Príncipe, uma ex-colónia portuguesa localizada a cerca de 300 km da costa Ocidental africana, em pleno Atlântico, mesmo na linha do Equador. Na principal ilha do arquipélago, de dimensões ligeiramente superiores às da ilha da Madeira, Teresa foi surpreendida pela quantidade de crianças locais que foi encontrar na praia de Santana, nos arredores da capital, a fazerem “carreirinhas” nas espumas com os corpos debruçados sobre pequenas tábuas de madeira e pedaços de troncos de árvores. “Imediatamente fez-se um click na minha cabeça”, diz a surfista de São João do Estoril. E se aquelas crianças tivessem acesso a pranchas de verdade, feitas de foam e fibra de vidro? Até onde poderia levá-las a sua curiosidade natural pelo ato de correr ondas?

Não por falta de vontade, a segunda viagem a São Tomé só veio a proporcionar-se anos mais tarde, em março 2014. E mais uma vez Teresa ficou fascinada: “Ao fim de cinco anos já havia comunidades relativamente fortes de surfistas, tanto em Santana, nos arredores de São Tomé (capital), como no sul do país, na região de Porto Alegre, que são justamente as áreas onde há melhores ondas. Alguns dos miúdos que tinha visto a brincar nas ondas com tábuas e troncos tinham agora as suas pranchas, deixadas por alguns viajantes mas sobretudo oferecidas por um grupo de portugueses que vivem e trabalham em São Tomé – o Paulo Pichel, o Miguel Ribeiro e o Pedro Almeida – que têm feito um excelente trabalho de dinamização do surf na ilha, inclusive organizando um campeonato nacional que este ano vai para a sua 3ª edição”, observa a ex-campeã nacional.

“No dia seguinte, quando começámos a treinar os take-offs na areia, ela imediatamente fez o movimento perfeito. Depois confessou-me que tinha estado a treinar no chão de casa com uma tábua de madeira.”

Depois de constatar, com iguais doses de surpresa e satisfação, o quanto o surf tinha evoluído naquela pequena ilha do Atlântico, o desejo de retribuir a hospitalidade e simpatia com que a comunidade local a recebera desde o primeiro momento levou Teresa a focar as suas energias numa nova missão: promover o surf feminino em São Tomé e Príncipe.

Logo que se chega a São Tomé, o visitante constata imediatamente que a população são-tomense é muito jovem (70% desta tem idade inferior a 20 anos). Nos últimos anos têm-se registado desenvolvimentos assinaláveis na educação e na disponibilização de bens essenciais como água potável, saneamento básico e saúde, mas ainda há muito por fazer nestes campos.

Embora São Tomé seja lindíssimo e as pessoas simpáticas e generosas, a vida é dura, já que uma boa parte das famílias vivem de agricultura e pesca de subsistência. E ainda mais para as mulheres. O normal é vermos mulheres e miúdas pequenas a carregarem alguidares com loiça e roupa para lavarem nos rios. Andam vários quilómetros para realizarem tarefas do dia-a-dia. “Quando chego à praia para surfar, geralmente o que vejo são mulheres e miúdas à beira dos riachos a lavar roupa e os miúdos a brincar com tábuas e troncos de madeira ou pranchas de surf velhas. Nunca encontro uma miúda dentro de água, nem sequer a tomar banho.”

Se os rapazes se divertem nas ondas, as raparigas também podem fazê-lo, e é aqui que Teresa acha que pode fazer a diferença – “Só o facto de me verem entrar na água com uma prancha já é um princípio. Vou despertando alguma curiosidade. Não é fácil desviares uma miúda para outras tarefas que não aquelas para as quais parecem estar predestinadas”, analisa.

“Nós, surfistas, somos uns privilegiados! O surf é uma excelente ferramenta de interação com as populações locais. Basta ter vontade e ideias!”

No entanto, Teresa parece ter encontrado a sua aposta segura. Jélsia, a irmã mais nova de Jéjé, o campeão nacional de São Tomé e unanimemente reconhecido como o melhor surfista do país, parece ter ficado irreversivelmente contagiada com a magia do surf, depois de a surfista portuguesa a ter iniciado na modalidade durante a sua última estadia, em abril deste ano. “Fui buscá-la a casa praticamente todos os dias para levá-la à praia. No primeiro dia, ela espontaneamente ergueu-se com os dois pés paralelos virados para o nose da prancha. Expliquei-lhe que os pés tinham de estar afastados, numa posição lateral. No dia seguinte, quando fui buscá-la, já estava de licra vestida à porta de casa, à minha espera, tal era o entusiasmo! Quando chegámos à praia e começámos a treinar o take-off na areia, ela imediatamente fez a posição perfeita. Depois confessou-me que tinha estado a treinar no chão de casa com uma tábua de madeira”, conta.

Em junho, Teresa estará de volta a São Tomé, para ajudar na organização da 3ª edição do campeonato nacional mas também para rever e continuar a acompanhar Jélsia dentro de água. “Já estou em pulgas! Sei que ela continua a treinar. Recomendei ao irmão que a ajudasse mas tenho muitas dúvidas… (risos) Ele quer é ir lá para fora apanhar as suas ondas.” Na bagagem, como prémios para os surfistas que mais se destacarem no campeonato, leva material de surf e peças de roupa gentilmente cedidos pela Surf Soft, Lightning Bolt, Plataforma Essência (Ericeira Surf & Skate) e Surf For Life – Academia Desp. Aquáticos, bem como por alguns dos surfistas portugueses que disputam a Liga MOCHE, de que é exemplo Luís Perloiro e a sua família. “Também num sentido didático, tenho apelado à generosidade da comunidade de surfistas portugueses, já que acho importante que eles percebam que, se hoje em dia se consegue facilmente ter acesso a todo o tipo de material em Portugal, em países como São Tomé e Príncipe não é nada assim”.

A médio/longo prazo, o objetivo é continuar a trabalhar em prol do desenvolvimento do surf são-tomense, com especial enfoque no feminino. Mulher de causas, Teresa Abraços deixou de encontrar nas viagens meramente lúdicas o alimento suficiente para o seu espírito inquieto. “Estas viagens fazem mais sentido se tiverem uma componente de solidariedade, por mais pequena que seja.” Em São Tomé e Príncipe, encontrou um desafio à altura da sua generosidade, e depois de ter firmado uma parceria com o grupo HBD, proprietário de duas unidades hoteleiras de luxo no arquipélago (uma em S.Tomé e outra na ilha do Príncipe), vai poder deslocar-se a este país com a regularidade que os projetos que tem na cabeça vão exigir. “Entendo que, como desportistas, também temos uma missão. Cada um pode e deve dar o seu contributo, seja de que forma for. É nisso que estou focada neste momento da minha vida e é esse o testemunho que quero dar.”

Fonte – http://www.surfportugal.pt/

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Paulo Canas apresenta ‘Liberta o teu Mar’

Imagem1_PauloCanas‘Liberta o Teu Mar’ é uma experiência terapêutica que pretende proporcionar tranquilidade e resiliência a pessoas que diariamente lidam com ansiedade, através da interacção com o mar e do desenvolvimento da capacidade de presença e consciência no dia-a-dia. Após 12 anos de experiência em Gestão, Marketing e Formação na Área Comportamental e Humana, Paulo Canas, fundador do projecto, encontra-se com o mar através do surf. Com os desafios que o mar lhe coloca, apreende um conjunto de aprendizagens que o inspiram a fundar o seu projeto de desenvolvimento pessoal. O lançamento oficial do projecto ‘Liberta do Teu Mar’ está agendado o dia 7 de Maio, às 18h00, na livraria Bulhosa Books&Living, em Entrecampos. Nesta sessão, Paulo Canas conta na primeira pessoa o que foi viver com ansiedade e qual o papel que o mar tem vindo a desempenhar no seu caminho para se tornar mais resiliente. A entrada é livre e o registo obrigatório em www.libertaoteumar.com. O lançamento do projecto conta com o apoio do Allianz Portuguese Surf Film Festival e da Evolution Clinic.

Liberta o teu Mar’ é tudo sobre reconheceres as tuas marés altas e baixas, os medos e ansiedades, e assumires a responsabilidade de encontrar a resposta adequada. Remar em águas turbulentas implica autodomínio. Gerir emoções e tomar decisões. Para reconheceres o teu lugar no mar, na vida”, afirma Paulo Canas, fundador do projeto.

No dia 30 de Maio, terá lugar na Ericeira o primeiro Workshop ‘Liberta o Teu Mar’, promovido por Paulo Canas em parceria com a Laneez Ericeira Surf House. As pré-inscrições devem ser feitas no site do projecto.

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Ericeira Surf & Skate anuncia apoio à SAPANA.org

10710916_10152732789506609_3215251119805621889_nA Plataforma Essência, braço social e ambiental da Ericeira Surf & Skate, anuncia  a SAPANA.org, na pessoa da Carolina Almeida Cruz, como nova parceira.

A organização SAPANA.org nasceu de uma viagem que Carolina Almeida Cruz (CEO), 28 anos, realizou à Índia e ao Nepal, onde viveu e trabalhou com as comunidades locais durante o ano de 2010. O contexto desprivilegiado e as difíceis condições que partilhou com as pessoas locais tornaram evidente a necessidade de acordar, de atuar e de melhorar.

Atualmente a SAPANA.org trabalha sobretudo em três pilares que visam a consciencialização e a capacitação social e económica do indivíduo: o desemprego, reclusão e minorias étnicas.

A palavra Sapana, que significa sonho em nepalês, é o encaixe perfeito entre esta organização e a Ericeira Surf & Skate que tem como mantra: “Vive o Sonho!”

“Não tenho plano B. Somos do tamanho dos nossos sonhos”, é o lema de Carolina e a prova mais evidente de que está completamente em consonância com o espírito livre a que a Ericeira Surf & Skate apela.

Pedro Soeiro Dias mostra-se muito feliz com esta adição ao projeto social da cadeia de retalho: “A Plataforma Essência tem vindo a trabalhar junto dos seus embaixadores de forma a ter uma presença efetiva em vários problemas sociais e a Carolina vai elevar o nosso contributo em questões concretas. A sua energia, motivação, humildade e empenho é incrível. Estamos super orgulhosos de contar com a Carolina”

Conhece mais acerca desta organização governamental para o desenvolvimento em:
https://www.facebook.com/Sapana.org
http://sapana.org

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Ericeira Surf & Skate associa-se à CERCIOEIRAS para homenagear a diferença.

gustavosmallNeste dia 3 de dezembro, data em que se assinala o Dia Internacional da Pessoa com Deficiência, a Ericeira Surf & Skate juntou-se à CERCIOEIRAS e ao Oeiras Parque numa iniciativa inovadora.

A Ericeira Surf & Skate de Oeiras integrou, por um dia, na sua equipa de trabalho, o Gustavo, um dos utentes desta Cooperativa de Educação e Reabilitação dos Cidadãos com Incapacidade. Este jovem de 20 anos, portador de trissomia 21, pratica desporto de uma forma bastante intensa e integrou-se totalmente naquela que é a essência da Ericeira Surf & Skate.

O objetivo desta iniciativa é sensibilizar a sociedade civil para a inclusão de pessoas com deficiência na sociedade e desmistificar esteriótipos. Para além do contacto com a atividade profissional, esta experiência pretende mostrar que a diferença não é impeditiva da execução de algumas funções, bem como o potencial destes cidadãos.

“A Ericeira Surf & Skate, via Plataforma Essência, tem vindo a desenvolver ações de forma a ter um impacto concreto em questões de inclusão social. Não podíamos deixar de estar ao lado desta iniciativa e participar de uma forma desprendida é natural. O Gustavo já é um dos nossos”, sublinhou Pedro Soeiro Dias, diretor de marketing da Ericeira Surf & Skate.

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A 2ª Geração do SurfArt está ON…

10462357_744131665672158_2023669892444099493_nA malta do Projeto Surfart, acaba de anunciar a 2ª Geração do Surfart. Estão a acompanhar um grupo de 24 crianças com 7/8 anos de idade residentes nos Bairros da Cruz Vermelha e Adrona e que frequentam o 2º ano do ensino básico da Escola EB1 n.º 3 de Alcoitão.

São futuros pequenos surfistas que brevemente estarão nas espumas do mar da Praia da Carcavelos com a toda a equipa a aprenderem competências para a vida. Para já o trabalho é em sala a escrever as regras das sessões!

Orgulhamo-nos de ter contribuido para que esta segunda fase seja uma realidade e em muito contribui a campanha que desenvolvemos o ano passado. Este é o principal objectivo da Plataforma Essência.

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NADA PÁRA NUNO VITORINO: “VOU SURFAR ONDAS GRANDES” – SURFTOTAL

DCIM103GOPROPara ele não há limites, só desafios. Nuno Vitorino não se esconde atrás da cadeira de rodas que o acompanha há quase 20 anos. E a próxima meta não é para qualquer um: Nuno vai surfar ondas grandes.

Os treinos já começaram há cerca de dois meses. E na página de Facebook do fundador da Associação Portuguesa de Surf Adaptado (SURFaddict) as palavras que mais se lêem são “Chega Inverno”. A preparação tem decorrido nas piscinas do Estrela da Amadora sob o olhar atento do treinador João “Jojó” Parisot. A SurfTotal foi assistir a um destes treinos que têm como objetivo preparar Nuno Vitorino para o Tow-in.

Recebido com todo o carinho pela equipa da Jet Resgate Team, composta por António Silva e Ramon Laureano, entre outros, tudo começou por acaso. “Estas coisas nascem um bocado do coração. Eu vi a onda que o António fez na Nazaré e disse-lhe que adorava fazer essa onda. Disse-lhe ‘Eu sei que sou capaz’. E ele respondeu: ‘Se tu achas que és capaz, então vais fazê-la”, e foi a partir daí que me associei a eles, e a todos os que se têm juntado, ao Carlos Burle, ao Hugo Vau… Somos todos surfistas de coração. Temos o objetivo de surfar ondas grandes. O António que é grande motivador desta minha loucura, digamos assim, vai ajudar-me e eu vou certamente descer ondas grandes”, começa por contar Nuno Vitorino.

A sua história é uma história de superação. Aos 18 anos, ficou tetraplégico, após um acidente. “Estava com um amigo meu a ver uma arma de fogo, ele disparou sem querer. E eu fiquei tetraplégico. Fiz o percurso normal de reabilitação, tornei-me atleta paralímpico, fui um homem do desporto. Praticava bodyboard desde os 12 anos. Aos 18 parei. Mas depois a paixão pelo mar está cá. Nem consigo explicar. É um sentimento que fazia parte de mim. Eu estava bastante triste e angustiado de não voltar ao mar e desde que voltei, já voltou muita gente comigo. Já colocámos [SURFaddict] mais de mil pessoas com deficiência na agua. Acho q é um trabalho extraordinário. Mas não é a mim que me têm de dar os louros mas a todos os voluntários que eles é que fazem a força. Eu só surfo”, acrescenta à SurfTotal Nuno que tem agora 37 anos.

Mas voltemos a estes treinos. Duas vezes por semana, Nuno segue até à Amadora. “A ideia do treino é preparar-me o melhor possível do town-in. Pelo que já vi do treino de apneia, acho que todos os surfistas o deviam fazer. É muito importante. Aumenta a nossa capacidade respiratória, a nossa postura e à vontade de estar na água, por exemplo em situações de stress”, diz.

Quando se propôs a surfar ondas grandes, ficou logo acordado com a Jet Resgate que o treino seria igual ao dos restantes membros da equipa. “Foi ponto assente que não íamos queimar etapas. Já que eu ia surfar ondas grandes, e vou, tinha de fazer o treino exatamente como eles, e como se fosse uma pessoa normal, sem deficiência. E foi isso que aconteceu. E para isso estamos aqui. Estou a progredir a olhos vistos. Eu já era um homem de água. Fiz natação paralímpica durante muitos anos,  isto é sobretudo adaptar o que já existia a uma pessoa com deficiência. Estou muito contente com os resultados e sinto-me muito mais confiante”, diz ainda Nuno.

Já o treinador assegura: “Os treinos estão a correr bem, ele é um atleta esforçado e tem vindo a revelar-se. A aptidão do passado ajuda bastante neste tipo de treino. Ele é super dedicado”, diz Jojó à SurfTotal. Mas quando soube desta vontade Nuno, a reação não podia ter sido outra. “A minha primeira reação foi ‘isto é uma ideia um bocadinho de loucos’. Mas depois de o conhecer e tomar conhecimento da força de vontade dele, acho que a determinação dele é muito importante e a cabeça é que manda. Nada é impossível”, diz. E afinal em que consistem estes treinos? “Tem a ver com toda a condição física. Fazemos um pouco de ginásio, um pouco de água, e vários exercícios em que fica sem respirar, de orientação. Tudo isto é recriado no treino”, explica o treinador João Parisot.

Para Nuno, estar na água é algo a que está muito habituado. “Já tinha um hábito de água que vem de trás. Isto para mim é uma continuação, mas além disso faz-me bem. Eu adoro treinar, adoro o meu corpo cansado. É um pouco como comer, é uma necessidade que eu tenho. E isso faz-me sentir vivo. Eu adoro isto”, confessa.

Mas passemos então à prática. Afinal como irá Nuno surfar ondas grandes? Para o ajudar terá uma prancha – que ainda não foi apresentada e da qual se sabe ainda pouco. “Terá pegas à frente e duas ou quatro atrás. Terá de ter os pesos de uma prancha de tow-in, será curta porque o meu tow-in não vai ser na remada, logicamente, mas lançado com a mota. Terá também uma balça para me segurar bem as pernas. E outras coisas que ainda estamos a estudar. Tenho muitas cabeças a pensar e a fazer a prancha. Que eu de pranchas percebo pouco. Eu gosto é de surfar”, explica.

O facto de surfar deitado, pode, no entanto, trazer outros perigos. E por isso, o treino tem de ser mais intensivo do que o de qualquer outra pessoa. “Tenho de treinar cinco vezes mais que um atleta normal de ondas grandes treina. Porque tenho a consciência que tenho de ‘correr’ mais. E isto faz-me estar alerta, não vacilar, respeitar o mar,  respeitar os meus pares. Confiar neles, porque são eles que vão cuidar da minha vida. Tenho experiencia de mar, de surfar, sei que vou estar a surfar deitado, numa prancha de surf. Para mim uma onda de dez metros tem 20, porque estou deitado. A pressão psicológica, física, a pressão de força do mar é completamente diferente para mim. Mas eu quero isto!”, avança.

Quando fala em surfar, os seus olhos brilham, e é visível que o surf é a sua vida. “Eu surfo muito, o surf está dentro de mim e faz parte da minha vida. Já estive com o Vasco Ribeiro, surfei com ele no Lagido, surfo muito com o Daniel Fonseca que é um grande bodyboarder e que é as minhas pernas. Preciso de alguém que seja aquilo que eu não mexo, que são as minhas pernas. E que não se importe que eu tenha o protagonismo e que me ajude nisso. O Vasco também me ajuda. Eu fiz surf ao longo da minha vida e vou continuar a fazer”, conclui, com a maior das certezas deste mundo.

Patrícia Tadeia – http://surftotal.com

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